Pesquisa aponta que cerca de 55% dos brasileiros possuem HPV 04 dez 2017

Na última semana, o Ministério da Saúde divulgou dados preliminares de uma pesquisa realizada nos estados brasileiros sobre o HPV. O relatório apontou que cerca de 55% da população, entre 16 e 25 anos, foi diagnosticada com a infecção. Destes, 38% são de tipos de alto risco para o desenvolvimento de câncer.
O HPV está associado a diversos tipos de câncer, como vulva, orofaringe, de pênis e principalmente ao de colo de útero. A relação sexual é a principal forma de transmissão do vírus, que também pode ser transmitido pelo sangue, roupa e objetos contaminados, pelo beijo e até mesmo durante o parto.
A infecção causa feridas especialmente na região genital e, em diversas partes do corpo, como pernas e braços. Internamente podem aparecer algumas verrugas, próximo ao útero da mulher, que não são visíveis. É aí que está o principal perigo: sem tratamento, a doença pode desenvolver tumores cancerígenos.
Pesquisa
Mais de 5 mil mulheres e cerca de 2 mil homens, de 16 a 25 anos, participaram do estudo. O grupo foi entrevistado e realizaram exames. Um Centro de Testagem e Aconselhamento das 26 capitais e do Distrito Federal, e 119 Unidades Básicas de Saúde (UBS), disponibilizaram os dados para a amostra preliminar da pesquisa.
Alguns municípios ainda não encerraram as coletas, essa porcentagem pode mudar até o fim do estudo. A coordenadora do trabalho estima que a variação não será maior que 2 pontos percentuais, explicando que a taxa de prevalência ainda continuará alta, e essa é a maior preocupação. O relatório será divulgado por completo em março do próximo ano.
Foram analisadas amostrar genitais e orais para determinar a prevalência do HPV. Variáveis sociodemográficas, uso de drogas, comportamento sexual e infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis e HIV, também fizeram parte da análise.
O estudo revelou que 16% dos participantes já apresentavam alguma doença sexualmente transmissível. Metade dos entrevistados disseram usar preservativo na rotina sexual. Foi avaliado em comportamento sexual de risco 83% das pessoas participantes.
Segundo o Ministério da Saúde, este é o primeiro estudo que faz uma análise sobre a prevalência da infecção no país. Os dados são importantes para monitorar o impacto da vacina oferecida, contra o HPV.

O que é o HPV

A infecção possui mais de 150 tipos de vírus diferentes, que afetam a pele e as mucosas. Destes, cerca de 40 podem infectar as regiões genitais e pelo menos 13 são considerados fator de risco para o desenvolvimento de câncer.
Os sintomas podem não ser visíveis. É estimado que apenas 5% das pessoas infectadas apresentem lesões na pele. A doença pode se manifestar de forma clínica, com o aparecimento de verrugas e também não visível aos nossos olhos, como as que aparecem no colo do útero.
Prevenção
O uso de preservativos é recomendado, mas nem sempre é eficaz na prevenção do HPV, pois a camisinha não cobre todas as áreas que podem ser infectadas. Pessoas ativas sexualmente precisam estar atentas quanto a possíveis manifestações da doença, além de realizar exames preventivos com frequência.
O Sistema Único de Saúde disponibiliza a vacina gratuitamente contra a doença desde 2014. Meninas de 9 a 14 anos, e meninos entre 11 e 15 anos, podem ser vacinados. A vacina também está disponível para outras faixas etárias na rede privada de saúde.