Anvisa alerta sobre vacina contra a dengue 08 dez 2017

Na última semana a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um alerta sobre a vacina contra a dengue, o Dengvaxia. De acordo com o relatório da pasta, o uso do composto pode trazer possíveis riscos e complicações da dengue, caso a pessoa que tomou a vacina nunca tenha contraído a doença. A atual recomendação da Vigilância Sanitária é que a imunização não seja feita em pacientes que nunca tenha contraído o vírus. Segundo o estudo preliminar encomendado pelo laboratório, essas pessoas podem desenvolver formas mais graves da doença depois de tomarem a vacina.
A vacina já havia sido testada em cerca de 40 mil pessoas distribuídas em diversos países, inclusive no Brasil. Esses estudos seguiam padrões estabelecidos por guias internacionais. Um novo estudo, a fim de monitorar o uso do imunizante, identificou nos pacientes soronegativos maior propensão às complicações da doença, passados trinta meses da primeira dose. De acordo com os dados, em cada 1.000 indivíduos soronegativos vacinados, cinco são hospitalizados e dois contraem a dengue severa. Segundo a Anvisa, esses números precisam ser confirmados, mas, como medida de prevenção, a bula do produto deverá ser alterada, informando o aumento dos riscos.
A vacina é a única aprovada no Brasil e está disponível desde dezembro de 2015. O imunizante é indicado para a prevenção da dengue em pacientes entre 9 e 45 anos de idade que vivem em áreas de risco do vírus. Pessoas vacinadas ou não, ao serem picadas por mosquitos infectados, podem ou não apresentar sintomas da doença. O estudo apontou que quem tomou a vacina e nunca teve contato anterior com o vírus pode apresentar um risco 0,5% maior de hospitalização e 0,2% para dengue grave, em comparação com as pessoas vacinadas que já haviam sido infectadas.
A Anvisa afirma que  solicitou os documentos completos referentes aos estudos de monitoramento, a fim de informar outras ações que poderão ser adotadas à medida que o relatório for analisado.
O Hospital Bom Jesus separou quatro dúvidas frequentes sobre o assunto e esclareceu. Confira!
O que é recomendado neste momento?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária recomenda que pessoas que nunca tiveram contato com o vírus não tomem a vacina. O alerta é uma precaução, visto que os dados do estudo são preliminares. Até o fim da análise outras conclusões podem ser tiradas. Quem vive em áreas endêmicas da doença, devem avaliar, junto a um médico, se podem ou não vacinar. Analisar os riscos da doença e os potenciais benefícios da imunização.
Por que tomar a vacina se eu já tive dengue?
A Anvisa esclareceu que a dengue e uma doença causada por quatro sorotipos diferentes. Mesmo quem já foi infectado, pode adoecer novamente devido a outro sorotipo.
Qual a gravidade da vacina para que nunca teve dengue?
Durante os estudos clínicos relacionados à vacinação nenhuma morte foi constatada e todos os diagnosticados recuperam a saúde com o tratamento de rotina. A Organização Mundial da Saúde classifica, na escala de 1 a 4, os casos graves e menos graves. No estudo, os pacientes analisados ficaram na escala entre 1 e 2, ou seja, menos grave. O alerta é apenas uma precaução, até o estudo ser finalizado e comprovado.
Pessoas já vacinadas podem ter dengue?
A Anvisa explica que nenhuma vacina garante 100% de proteção. No caso do composto contra a dengue, a média é de 66% de proteção. Há ainda uma redução nas hospitalizações por causa da doença que chega a 80%. A prevenção contra as formas mais graves do vírus é de 93%.